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“Há um slogan famoso no Reino Unido, pós-Segunda Guerra Mundial, que diz ‘temos de conquistar a paz’ e é isso que temos de fazer agora, porque não pode ser uma paz que recompense o agressor ou encoraje regimes como o Irão”, defendeu Keir Starmer, numa conferência de imprensa conjunta com o chefe de Estado norte-americano, na Casa Branca.
Starmer frisou que “a história deve estar do lado do pacificador, não do invasor”, apelando a um “bom acordo”.
O encontro ocorre um dia antes de Trump se reunir também com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Washington, com a intenção de assinar um pacto pelo qual a Ucrânia partilhará 50% dos rendimentos obtidos com a futura “monetização” de todos os recursos naturais do país, como passo preliminar para um polémico acordo de paz com a Rússia.
Starmer garantiu que o Reino Unido estava a trabalhar em estreita colaboração com os líderes europeus e estava preparado para enviar tropas e aeronaves para o terreno para apoiar qualquer eventual acordo, porque, na sua opinião, “esta é a única forma pela qual a paz durará”.
O primeiro-ministro britânico observou que o seu país dará à Ucrânia “mais ajuda monetária do que nunca” este ano e sublinhou que anunciou esta semana que o Reino Unido vai aumentar o seu orçamento de defesa para 2,5% do produto interno bruto (PIB) até 2027, o maior aumento desde o fim da Guerra Fria, em resposta à situação global criada pela invasão russa à Ucrânia.
“Já somos um dos maiores fornecedores da NATO e agora estamos a ir muito mais além”, destacou Starmer.
Trump, por sua vez, manifestou a sua gratidão pelo aumento anunciado: “É algo bom para o país”, vincou o líder republicano, que descreveu o líder britânico como um “negociador muito duro” e salientou que a relação entre os dois países é “muito especial”.
Donald Trump alertou hoje que uma trégua entre a Rússia e a Ucrânia deve ser alcançada “em breve”, ou nunca acontecerá.
“Penso que fizemos muitos progressos e penso que está a acontecer bastante rápido”, vincou Trump sobre os seus esforços para conseguir o fim das hostilidades.
“Ou isso vai acontecer em breve ou não vai acontecer”, acrescentou, na mesma conferência de imprensa com Keir Starmer.
Trump manifestou também confiança de que o líder russo Vladimir Putin não pressionará para reiniciar a guerra se uma trégua puder ser alcançada.
“Falei com ele, conheço-o há muito tempo, tivemos de passar juntos pela farsa russa”, apontou.
A menção de “farsa da Rússia” é uma referência à investigação do FBI (polícia federal norte-americana) e do conselho especial do Departamento de Justiça que examinou se a campanha presidencial de Trump em 2016 se coordenou ilegalmente com a Rússia para influenciar o resultado das eleições nos EUA.
A viagem de Starmer, que acontece poucos dias depois da visita do Presidente francês Emmanuel Macron a Trump, reflete a crescente preocupação sentida por grande parte da Europa de que a pressão agressiva de Trump para encontrar um fim para a guerra sinaliza a sua vontade de ceder demasiado a Putin.
A aproximação de Trump à Rússia perturbou os aliados históricos dos Estados Unidos na Europa.
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