“Não nos ofereçam um cessar-fogo: é impossível sem a retirada total das tropas russas”, escreveu hoje o conselheiro do Presidente ucraniano Mykhailo Podoliak e membro do grupo de negociação ucraniano na rede social Twitter.

Sublinhando que o objetivo da Ucrânia não é interromper momentaneamente a invasão do país, mas sim que o exército invasor abandone todo o território, o conselheiro de Volodymyr Zelensky garantiu que “até que [a Rússia] esteja pronta para libertar por completo” a Ucrânia, a “plataforma de negociação [dos ucranianos] são armas, sanções e dinheiro”.

“A sociedade ucraniana não está interessada num novo ‘Minsk'”, acrescentou Podoliak, numa referência ao protocolo assinado em 2014 para encerrar o conflito desencadeado nas regiões ucranianas pró-russas de Lugansk e Donetsk, no leste do país.

O protocolo foi assinado na capital bielorrussa por representantes da Rússia e das duas regiões, autoproclamadas repúblicas independentes, além da Ucrânia.

A Rússia anexou a península da Crimeia em 2014, um território que colocou sob sua administração, enquanto o conflito separatista persiste em Lugansk e Donetsk, na região de Donbass, onde operam guerrilheiros pró-russos, auxiliados por Moscovo.

Entretanto, em Moscovo, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrei Rudenko, afirmou que o país está disponível para continuar as negociações para um cessar-fogo na Ucrânia.

“Não fomos nós que interrompemos o processo de negociação, foram os nossos parceiros ucranianos”, disse, acrescentando que “assim que [os negociadores da Ucrânia] manifestarem vontade de voltar à mesa de negociações”, a Rússia voltará “naturalmente a responder afirmativamente”.

“O importante é que haja algo sobre o que falar”, adiantou, citado pela agência de notícias russa Interfax.

Na quarta-feira, o Kremlin (Presidência russa) afirmou que as negociações entre Moscovo e Kiev estão atualmente interrompidas devido à “absoluta falta de vontade” da Ucrânia.

“As negociações não estão, de facto, a progredir. Notamos uma completa falta de vontade por parte dos negociadores ucranianos de continuar este processo”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

A Rússia atribui esta posição da Ucrânia à influência dos Estados Unidos e do Reino Unido no processo de negociação.

As negociações entre as duas partes pararam há um mês e meio, depois de os combates na cidade ucraniana de Mariupol se terem intensificado e de as imagens de cadáveres nas ruas de Bucha, alguns com as mãos amarradas, terem sido divulgadas.

A última ronda de conversações presenciais entre os delegados dos dois países ocorreu em Istambul, na Turquia, em 29 de março.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 85.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas — cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,3 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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