"É um mito, claro", começa por responder Aníbal Ferreira, nefrologista, ao SAPO24. "As águas são diferentes umas das outras" e têm riscos distintos.

"As águas com muito poucos íons", ou seja, com menos minerais, sãos "mais leves" e podem gerar algum risco de insuficiência de cálcio, esclarece. "Mas, no caso da água com gás, a única coisa que é importante e que é relevante, é que é uma água muito rica em sódio".

As águas gaseificadas naturais e fabricadas industrialmente contêm minerais dissolvidos, sob a forma de íons. Uma delas é o sódio, podendo, por isso, acumular cloreto de sódio, citrato de sódio, bicarbonato de sódio, ou outras substâncias semelhantes.

A composição da água gaseificada depende da sua produção. "Quando se compara esta água com outras comercializadas, chega a ter quatro a cinco vezes mais sódio", reforça.

Assim, espera-se que as pessoas "não bebam grandes quantidades de água com gás". O especialista aconselha a "ler os rótulos" e a ter atenção "aos diversos elementos", para adaptar o consumo às necessidades de cada organismo.

No fundo, os níveis de sódio podem ajudar ou prejudicar pessoas com diferentes patologias. Principalmente "para os doentes hipertensos, que têm insuficiência cardíaca e, portanto, que têm uma retenção de sal nesse contexto, beber bastante água gaseificada pode ser prejudicial". E acrescenta: "Se são pessoas que já têm realmente níveis de sódio muito altos é preciso ter atenção".

Por outro lado, "para algumas pessoas que tenham, por exemplo, sódio baixo", o consumo de água gaseificada "pode ser útil".

A água em demasia faz mal?

"Não, as pessoas devem beber em função da sede", refere. Se for uma pessoa saudável, não há casos de excesso de hidratação.

No entanto, o especialista destaca a importância de adaptar cada situação às condições do organismo, pois no caso de baixos níveis de sódio no sangue (hiponatremia) ou altos níveis de sódio no sangue (hipernatremia), o consumo de água deverá ser diferente.

Como manter um sistema urinário saudável e evitar doenças renais?

"As doenças retais são mudas, não dão sintomas e, portanto, não fiquem à espera de as ter", lembra Aníbal Ferreira. "Quem tem hipertensão ou é diabético tem uma altíssima probabilidade de ter uma doença renal" e, por isso, é exigido o dobro do cuidado.

"Cerca de 10% da população dos países mais desenvolvidos tem algum grau de insuficiência renal", avança, aconselhando "todas as pessoas diabéticas e todas as pessoas hipertensas a, pelo menos uma vez por ano, se não for necessário mais vezes,  fazer análises muito simples ao sangue e à urina".

Nestas consultas de rotina será importante saber "a quantidade de proteínas ou de albumina que perdem na urina, e de creatinina no sangue", de forma a "despistar muito precocemente qualquer grau de lesão real".

Por fim, alerta ainda para os perigos da "automedicação "e da "utilização de analgésicos e anti-inflamatórios, que é outra das causas de insuficiência renal que podemos evitar muito facilmente".