Os advogados de Ricardo Salgado apresentaram ao Tribunal Central Criminal de Lisboa um pedido de realização de uma perícia médica neurológica ao ex-banqueiro, adianta hoje o jornal Público. Segundo alguns especialistas contactados pelo diário, esta iniciativa pode resultar numa atenuação ou suspensão de uma possível pena.

O objetivo da defesa de Salgado é tentar aferir se o ex-banqueiro sofre de alguma doença neurológica e se isso o impede de estar em condições de ser submetido a interrogatório judicial.

Para justificar este pedido, os advogados apresentaram os resultados de uma tomografia computadorizada por emissão de pósitrons — exame mais conhecido por PET —, que serve para diagnosticar doenças neurológicas, assim como um relatório assinado por Joaquim Ferreira, neurologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Segundo Joaquim Ferreira, Ricardo Salgado, por si observado, “apresenta um quadro clínico caracterizado por queixas sugestivas de declínio cognitivo há 3-4 anos” e que, além de provocarem problemas motores, caracterizam-se por “defeito de memória e dificuldade crescente na realização de tarefas cognitivas de maior complexidade”.

O resultado do exame PET também é compatível com um diagnóstico de Doença de Alzheimer, mas o neurologista diz ser necessário realizar mais exames para aferir com certeza se Ricardo Salgado sofre de doença neurológica.

Salgado, que ainda não se sentou em tribunal devido aos riscos da pandemia dada a sua idade avançada, responde por três crimes de abuso de confiança, devido a transferências de mais de 10 milhões de euros no âmbito do processo Operação Marquês.

Os especialistas contactados pelo Público admitem que um caso destes é difícil de avaliar dada a raridade da sua ocorrência. Caso seja provado que Ricardo Salgado sofre de doença neurológica, o ex-banqueiro pode ser condenado, mas não chegar a cumprir pena de prisão efetiva, apesar de poder ser-lhe decretada a perda a favor do Estado dos bens e ser obrigado a pagar uma indemnização. Outro desfecho pode passar por cumprir prisão domiciliária.

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